Queremos compartilhar com todos vocês o risco ao qual o SESC está exposto neste momento. O governo federal pretende enviar ao Congresso Nacional projeto de lei que retira pelo menos 33% dos recursos do SESC para a criação de mais um fundo de financiamento de programas de formação profissional.
Diante desse risco, é nosso dever expor à sociedade brasileira o valor e a importância desta instituição criada, mantida e administrada com recursos privados, provenientes de contribuição compulsória das empresas do comércio de bens e serviços surgida nos anos 40 por proposta voluntária do empresariado. Esta definição tem amparo na lei e na Constituição Brasileira (art. 240).
O SESC promove a educação permanente por meio de suas ações culturais, socioambientais, esportivas, de promoção da saúde e da cidadania, das atividades de lazer e de sociabilização, voltadas prioritariamente às pessoas de menor renda.
A melhor maneira de conferir o significado dessa ação é vivenciar o dia-a-dia.nos centros culturais e desportivos. Ouvir o relato dos freqüentadores sobre a importância do SESC em suas vidas e para suas famílias. Utilizar os equipamentos e instalações de primeira qualidade, abertos a todos os estratos sociais, e participar das inúmeras atividades que abrangem um amplo arco de interesses e necessidades, reunindo um público extremamente diversificado.
Acreditamos que todos vocês já tiveram essa oportunidade. São, portanto, testemunhas da natureza beneficamente eficaz, engajadamente eficiente e profundamente educativa do trabalho que o SESC desenvolve há 61 anos. Esse patrimônio não pode ser sacrificado em favor de prioridades transitórias, em nome das quais se destruiria um trabalho consolidado em mais de seis décadas de atuação, causando um prejuízo incalculável ao desenvolvimento do país.
A educação profissional é importante. Mas se dissociada de uma ação voltada ao desenvolvimento integral do indivíduo, torna-se meramente utilitarista, o que levaria a um evidente retrocesso, fruto de uma visão obscurantista e flagrantemente retrógrada.
Diante da gravidade dessa situação, que propõe a retirada de substanciais recursos dos programas socioeducativos do SESC, convidamos a todos para que se manifestem, pelos meios ao seu alcance, em prol da continuidade de nosso trabalho.
Um projeto que, afinal, é uma conquista da sociedade brasileira.
Danilo Miranda
Diretor Regional do SESC SP
http://www.sescsp.org.br/sesc/intervencaoSesc/
Manifesto em defesa da preservação do SESC
We endorse the Manifesto em defesa da preservação do SESC Petition to amigos, parceiros e freqüentadores do SESC.
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2230. Thalma Neris de Freitas O Secs presta um serviço inestimável a cultura brasileira de forma correta e legitima e merece o apoio tanto da classe artistica quanto da população que é a maior beneficiaria desse trabalho. atriz e cantora Rio de Janeiro
Thalma e Laercio de Freitas no Auditório Ibirapuera
Dias: 26 de Abril de 2008
Horário: Sábado, 00h
Duração: 90 minutos (Aproximadamente)
Ingresso: Entrada franca, até completar a lotação de 800 lugares
Gênero: MPB
Classificação Indicativa: Livre
Thalma de Freitas Aos dezessete anos de idade, começou a se apresentar como cantora em bares de São Paulo. Posteriormente, apresentou-se em bares cariocas, como o Copérnico, interpretando composições de autores da nova geração da MPB, como Paulinho Moska, Seu Jorge e Adriana Calcanhoto. Freitas também atuou no projeto Humaitá pra Peixe. Em 2004, lançou seu CD solo, com canções clássicas como "Doce de coco" (de Jacob do Bandolim e Hermínio Bello de Carvalho), "Beija-me" (Roberto Martins e Mário Rossi) e contemporâneas, como "Tranqüilo" (de Kassin) e "Cordeiro de Nanã" (Mateus e Dadinho), que foi escolhida para compor a trilha sonora da telenovela "Senhora do Destino". Seu pai, Laércio de Freitas, participou do álbum ao piano junto a outros luminares do samba carioca, como Wilson das Neves (bateria) e Bebeto (contrabaixo). Thalma de Freitas também atua como crooner da "megabanda" Orquestra Imperial.
Laércio de Freitas Pianista, maestro, arranjador e compositor, iniciou sua carreira internacional em 1966 com apresentações na Europa e Ásia. Acompanhou artistas de renome como Maria Bethânia, Clara Nunes, Ângela Maria, Marcos Valle, Emílio Santiago, Wilson Simonal, Nancy Wilson, The Supremes, entre outros. Pertenceu à célebre Orquestra Tabajara, de Severino Araújo, e ao Sexteto de Radamés Gnatalli. Teve participação em importantes eventos musicais como a homenagem prestada a Dorival Caymmi por ocasião de seus 70 anos, no Ciclo do Piano do Masp e no Festival de Verão do Guarujá. Foi um dos onze músicos convidados para participar do projeto “Memória do Piano Brasileiro”, realizado no MIS – Museu da Imagem e do Som (SP), destinado a documentar o trabalho dos mestres do piano no Brasil. Participou dos Projetos “Chorando Alto” e “À Benção Pixinguinha” com a participação especial do saxofonista Proveta, (SESC Pompéia-SP), e do Projeto “100 anos de Pixinguinha” no CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil (RJ).
Em 1999 foi vencedor do Prêmio “Kikito” do Festival de Cinema de Gramado pela trilha sonora do curta-metragem “Amassa que elas gostam”.
O principal palco do evento foi deslocado e funcionará ao lado da Praça Júlio de Mesquita, também no Centro. Este ano, passa pelo palco uma
combinação eclética de ritmos, idades, climas e tribos. A abertura ficará a cargo da
cabo-verdiana Cesaria Evora. Diversos grandes nomes da música também marcam presença.
* 18h00 - Cesária Évora
* 21h00 - Gal Costa
* 00h00 - Zé Ramalho
* 03h00 - Mutantes
* 06h00 - The Gladiators
* 09h00 - O Teatro Mágico
* 12h00 - Marcelo D2
* 15h00 - Orquestra Imperial * 18h00 - Jorge Ben Jor
A formação é de orquestra, o repertório passa pelo samba e a atitude é tropicalista – são 19 amigos unidos para celebrar a vida e a música. Essa festa, que surgiu como uma mentira e agora está registrada no disco Carnaval Só no Ano que Vem, virou uma das bandas mais criativas da música brasileira, a Orquestra Imperial
“Enlouqueceu ao tentar satisfazer a todo mundo / endoideceu ao pregar o perdão a cada segundo / Ensandeceu e ficou com o olhar tão furibundo / Adormeceu e acordou cada vez mais iracundo / Se convenceu a não tomar banho e ficou todo imundo / Estremeceu ao ver o terror, ficou nauseabundo / Não estava nada bem / Estava muito mal / Mas, de repente, levantou o seu astral / Ficou com o seu coração em festa tropical / Ao som da Orquestra Imperial” (“Ao Som da Orquestra Imperial”, de Nelson Jacobina e Jorge Mautner, lançada em Revirão, o mais recente álbum de Mautner)
Você pode ter uma harmonia dissonante. É meio paradoxal, né? Mas ali é concreto. E, sendo uma vibração concreta, essa informação entra pelo sistema nervoso e já começa a pensar a partir dali. A informação musical entra pelos ouvidos, penetra as duras amálgamas lógicas e vai direto para o cérebro”.
Para quem não está habituado com as idéias de Mautner, A Filosofia do Kaos ("É caos com K!", ele lembra) foi desenvolvida em uma das obras mais conhecidas dele: o livro Kaos, editado em 1964. Ela proclama a modificação da humanidade por meio de um movimento revolucionário, anarquista, pacifista, democrático, cultural. “Kaos é uma visão. É antes, depois, abaixo, acima e durante a política. Qualquer política ziguezague. É o vis-à-vis artístico da física-química-matemática relativistas. Maracatu atômico?” Não por acaso, Mautner vê na Orquestra Imperial uma materialização atualíssima de suas idéias. E ele não economiza teorias: “A Orquestra tem uma chama poética que une a todos como uma missão. Como no jazz, eles conseguem uma medida entre o planejado, o exercitado, o ensaiadíssimo com o improvisado, o inesperado, a novidade. A música é uma deusa e o show da Orquestra Imperial é um ritual. As pessoas vão lá para celebrar a vida. A profundidade com que eles pegam músicas dos 30, 40, 50 e reinterpretam, mas nunca distorcem a coisa importante da composição”.
Esse aspecto, o das releituras de clássicos da música brasileira, também gera excelentes discussões teóricas. Para Moreno, “ninguém está fazendo uma tentativa de resgate. Estamos tocando as músicas que a gente gosta, é não é para ‘não deixar elas morrerem’. Pelo contrário, elas fazem parte das nossas vidas e estamos colocando essa parte viva no palco. É cantar e tocar para se divertir, ser feliz”. Pedro Sá faz coro com o amigo, mas acrescenta um dado: o fato de quase todos os integrantes da Orquestra estarem diretamente envolvidos com o rock é agente estético essencial nessas versões. “É muito dionisíaco. E é muito rock, no sentido de que aquilo ali é que está valendo. A gente não canta nenhuma daquelas músicas para fazer um estilinho do tipo ‘olha que incrível, estou cantando um Assis Valente’. E esse negócio da formação roqueira aproxima o público, sem dúvida. A cultura de banda de rock está em todo mundo, não há quem não ouça Beatles ou tenha uma banda preferida. E a gente faz parte desse universo. Então, isso nos contextualiza de alguma maneira”, esclarece. A caretice que esse tipo de resgate revela sai da toca na denúncia de Berna: “A gente se irrita um pouco com esse negócio meio branquelo burguês de se apropriar de uma cultura mais simples e transformá-la em um museu fechado muito louco, como se nada pudesse invadir aquilo porque senão ia corromper. Noel Rosa, se estivesse vivo, ia estar falando sobre foguete. Então, acho natural que, na hora de fazer essas releituras, a gente suba com o computador para o palco”. Kassin completa: “É para ser uma festa. Muita gente via na Orquestra um trabalho de resgate, mas não tem isso. A gente gosta daquela parada porque parece viva, não porque parece morta”. Por esses motivos todos, nenhum dos integrantes cogitou um trabalho de regravações quando começaram a cobrar um disco da Orquestra Imperial. “Seria estranho, e até oportunista, gravar coisas que já foram muito melhor gravadas. Ao mesmo tempo, como todo mundo compõe, a convivência desse grupo de pessoas em shows e viagens gerou uma série de canções novas. À medida que o repertório foi crescendo, a gente achou que só faria sentido fazer um disco se fosse para registrar essas músicas”. Berna tem mais a dizer: “O melhor seria fazer um disco de inéditas, para que a Orquestra andasse para frente, dissesse a que veio. Senão, a gente ia passar a vida fazendo show de empresa e não é essa a nossa parada”.
Veio da França, em meados do ano passado, a proposta real do primeiro álbum. “Ele foi bancado metade pela gente, metade por um selo francês e gravado todo ao vivo, como se fazia antigamente.
“Essa minha homenagem descreve os efeitos medicinais da Orquestra Imperial. Na primeira parte da música, temos alguém acometido de profunda melancolia. Na segunda parte, essa mesma pessoa está mais saudável e atinge a euforia com o som da Orquestra”, explica Jorge Mautner, considerado pelos integrantes do grupo como membro honorário, guru e mestre espiritual.
Formada por nada menos do que 19 músicos, a Orquestra é um desses casos de projeto que estaria fadado a não dar certo, mas que, por algum mistério do acaso, faz um grande sucesso. Em março lançam, aqui e na França, o disco de estréia, Carnaval Só no Ano que Vem. Enquanto isso, passam as segundas-feiras fazendo uma série de shows pré-carnavalescos, sempre com casa cheia. “Não sei o que aconteceu de tão errado para ter dado tão certo”, brinca Berna Ceppas [sintetizadores e percussão] que, junto com Kassin [baixo], começou toda a história que eles mesmos contam a seguir.
“A gente fazia uma noite semanal no OO[casa noturna carioca]. Era uma espécie de jam session de música eletrônica. De tão experimental, achamos até que não ia rolar. Só que o negócio foi crescendo”, conta Kassin. “A gente chamava amigos para tocar: Arto Lindsay, Otto, Fernanda Abreu... Não podia nem sair na imprensa porque aí seria um show e os artistas não iam mais querer participar”, emenda Berna, “até que, na época da Copa do Mundo de 2002, o Geraldinho Magalhães e o Marcinho Barros, que trabalha com a Marisa [Monte], ficaram com umas datas no Ballroom, aquela casa de shows [no bairro carioca do Humaitá] que acabou.” Kassin vai adiante: “Só que o Ballroom era muito maior e não tinha nada a ver com o conceito de jam. Não fazia sentido alguém ir ver uma improvisação em uma casa de shows para mil pessoas. Paralelamente a isso, eu e Domenico [bateria] costumávamos ouvir muitos discos de gafieira e ficávamos tocando aquelas músicas nas passagens de som do +2, nosso projeto com Moreno Veloso [voz e percussão]. Mas a gente nunca achou que essa fosse uma parada com a qual íamos nos envolver, ainda que ficássemos viajando nela”. Domenico assume: “Era um tipo de música que a gente gostava e não tinha onde tocar, tipo Miltinho, Elza Soares... Eu adoro bateristas de gafieira, fico imitando mesmo”.
Mal sabiam eles que essa viagem começaria, de fato, a partir de uma contraproposta ao convite do Ballroom. “Meio achando que o cara não ia topar, joguei: ‘Faria essa parada se fosse a orquestra de gafieira que tenho em mente’. E menti na lata: ‘Já tenho um repertório preparado, uma banda ótima, tá tudo certo’. Na real, não tinha nada”, confessa Kassin. Numa quinta-feira, ele recebeu o telefonema com a resposta: “Segunda a parada tá de pé. É só chegar e tocar. Qual é o nome da orquestra mesmo?”. À beira do desespero, o músico olhou para a cara de Berna procurando uma solução. “Ele, na época, estava tentando fazer uma parada chamada Camisaria Imperial. Olhou para o lado e viu uma série de estampas que pretendia usar nesse projeto e respondeu: ‘Orquestra Imperial’”, lembra Kassin, rindo. “A gente tinha três dias para ensaiar uma banda que não existia! Começamos a fazer as contas: da galera do +2, todo mundo ia: eu, Berna, Pedro Sá [guitarra], Domenico, Moreno... Aí, chamei o Rodrigo [Amarante, voz], do Los Hermanos. E a gente foi avisando a galera que tinha a ver: a Thalma [de Freitas, voz], o Seu Jorge [voz], uns outros amigos: Bartolo [guitarra], Bodão [percussão], Leo Monteiro [percussão eletrônica]. Berna continua a escalação: “Em 15 minutos já tinha a base toda. Na mesma noite, cruzei com o Bidu [Cordeiro, trombone], que toca nos Paralamas, e ele arregimentou um naipe de metais [Felipe Pinaud, na flauta, Max Sette, no trompete e flugelhorn e Mauro Zacharias, no trombone].
Moreno Veloso complementa: “Meu telefone tocou nessa mesma tarde. Eu aceitei. Logo no primeiro encontro, teve um acordo de que cada um ia realizar seu próprio sonho em relação às músicas do passado. A idéia era trazer o que a gente tinha vontade de cantar ou tocar”. E todo mundo chegou com um CD, um LP, um cassete, um iPod debaixo do braço, e as harmonias foram tiradas na hora, do jeito que dava. “Levei uns boleros mexicanos e porto-riquenhos que conheço desde a infância. Depois, uns sambas clássicos e algumas outras coisinhas”, enumera Moreno. De todos os recrutados, só Seu Jorge não apareceu nos ensaios. “A gente achou que ele era daqueles que combinam as coisas na noite e depois nem se lembram no outro dia”, dispara Kassin. “Mas, no dia do show, foi o primeiro a chegar. Assim que entrei no camarim, Seu Jorge mandou: ‘Aí, família! O que eu canto?’. Mostramos o repertório e ele escolheu. Assim que pisamos no palco, o cara soltou: ‘Maravilha! Orquestra Imperial na área!’. Nessa hora, todo mundo entendeu que o negócio ia rolar.”
“Nesse primeiro show do Ballroom tinha pouca gente”, lembra Domenico. “No segundo dia também – mas com o dobro de público do primeiro. No terceiro, foi um jornalista de O Globo que gostou e botou na primeira página. No quarto dia, a casa lotou – com fila na porta e o cacete. Com isso, a temporada, que era de um mês, durou quatro – e depois foi indo e voltando.” Entre os gatos pingados na platéia do primeiro show da Orquestra estava Nina Becker [voz], que tinha ido para ver os amigos que mantém desde o tempo do colégio. “Fui por causa do Kassin, do Domenico, do Moreno... Mas fiquei mesmo impressionada quando vi a Thalma, aquela cantora linda. Os shows ainda eram supervazios. Na semana seguinte, fui de novo para dar aquela força. Mas Thalma não estava mais, tinha ido para a Espanha”, conta Nina. “Os meninos estavam reclamando porque iam ter que continuar sem cantora. Acabado o show, peguei um táxi e, quase chegando em casa, me deu um insight: ‘Caramba, vou cantar com eles!’ Então, fiz a proposta. Passei no ensaio toda bonitinha, na hora marcada, e a galera só chegou duas horas depois. Mas eles me ouviram, gostaram e fui ficando.”
Nina não foi a única a “pedir emprego” na Orquestra, como conta Berna: “O Rubinho [Jacobina, teclados] também ligou para entrar: ‘Pô, cara, tocar samba é o negócio da minha vida. Toco qualquer coisa, baixo, violão, flauta’. Mas a gente ainda não tinha o piano, que nem é o instrumento dele, mas que ele criou um jeito de tocar ali que é muito legal”. Pedro Sá também veio depois: “O Kassin sempre me falava dessa vontade de reunir todos os nossos amigos em uma orquestra de gafieira, e seria muito natural eu fazer parte disso. Estava viajando com o Caetano em uma turnê e não participei dos primeiros shows. Quando cheguei, fui ver o baile. Vi umas duas vezes, na terceira, entrei. Quando cheguei, já era um sucesso”, conta.
Sucesso mesmo. “Volta que tá muito bom, a Orquestra tá bombando!”, alguém gritou pelo telefone para Thalma, que estava do outro lado do mundo. “Uma orquestra de gafieira, em 2002, ia na contramão do que estava acontecendo. Enquanto todo mundo enxugava as bandas, a gente enchia o palco de gente. Mas como ia durar só um mês, nenhum de nós se preocupou muito com isso”, conta Nelson Jacobina [guitarra e violão]. Thalma voltou com fila dando a volta no quarteirão e encontrou outra pessoa ocupando seu posto de voz feminina da Orquestra. “Mas já tinha colocado um monte de músicas no repertório, não fazia sentido sair. E, de cara, a gente [ela e a Nina] se identificou por causa das roupas. ‘Ai, o cabelo fica melhor assim? Será que uso esse vestido?’ Essa coisa de camarim que é tão boa quando você tem uma companheira por perto...”, conta Nina. “Larguei a publicidade por causa da Orquestra. Queria executar minhas idéias, meus projetos”, diz ela, que até então era diretora de arte da Conspiração Filmes. Thalma assina embaixo: “Sou do teatro, então meu negócio é turma. E é verdade que esse negócio de estética ajudou a gente a se dar bem logo de cara. Somos muito ligadas a isso: ela pela via da direção de arte e eu pela via do musical, a coisa do palco”.
Tudo resolvido: teríamos duas vocalistas na Orquestra Imperial. Quem também já estava escalado para a banda era o francês Stephane San Juan [percussão], namorado de Thalma. “Foi o Kassin que o levou para a Orquestra. A gente é uma turma, as histórias se misturam”, ela diz.
E a agenda no Ballrom foi esticando. “Quando o lugar fechou, a gente ficou meio homeless. As casas médias aqui do Rio não têm palcos que comportem a Orquestra”, explica Berna. Mas logo viriam os shows em São Paulo e nos Estados Unidos – “A gente se apresentou primeiro em Chicago e depois em Nova York, em um megafestival chamado Sudoeste, para 50 mil pessoas” – até eles chegarem a Londres... Mas calma, vamos por partes. “No primeiro show da Orquestra em São Paulo, o Kassin não pôde ir, então tive que tocar o baixo. Fui do Rio a São Paulo ouvindo um MD para tentar entender as 50 músicas. No palco, foi Kardec total. Mas rolou, essa é a mágica da coisa. O próprio formato do grupo tem espaço para esses deslizes”, conta Pedro Sá. Essa é uma das características de uma banda na qual todos os seus integrantes são prioritariamente ligados a outros projetos. “A primeira vez que teve problema de gente não poder fazer o show, uns começaram a ficar chateados com os outros. Daí lembrei a todo mundo que a Orquestra é bundalelê, então não tem que se estressar. Se alguém não puder ir, beleza. Vai rolar do mesmo jeito e a gente vai se divertir”, diz o guitarrista.
É só por essa maleabilidade que o grupo se torna possível. O mais veterano entre os músicos envolvidos no projeto, o mestre Wilson das Neves [percussão e voz], aprova o esquema: “Sempre que posso, vou ao show. Só quando tem Chico [Buarque, com quem Wilson está em temporada] que não compareço, mas eles sempre me perdoam. Porque não é privilégio meu, não”. Verdadeiro ícone entre os músicos brasileiros, Wilson entrou para ocupar o lugar deixado por outro integrante. “Peguei a vaga do Seu Jorge porque ele saiu para ser ator e viver nos Estados Unidos. Enquanto os meninos me aturarem, continuo por lá. A primeira coisa que gostei foi do nome: ela é Imperial e eu sou Império Serrano, então estou no meu ambiente. Mas o melhor é a convivência. Eu estou com 70 anos e ali a maioria é filho de amigo meu”, conta. Além de tocar, Wilson compõe com “a garotada”, e parcerias suas com Kassin e Domenico já fazem parte dos shows. “A gente tem uma relação de amizade que não passa nem pela idade nem pelo estilo”, resume Kassin.
Domenico explica por que esse esquema de poucos ensaios não chega a prejudicar o desempenho no palco. “A gente tira mais ou menos a forma e ela vai se ajeitando nas apresentações. Quando o Wilson [das Neves] entrou na história, ele contou que era exatamente assim que funcionavam as orquestras de antigamente. Os músicos chegavam para tocar antes de a casa encher, depois repetiam o mesmo set... E o negócio musical ia se construindo na hora”, diz.
Por isso são tão naturais as participações especiais que acontecem nos shows da Orquestra, várias delas memoráveis. Berna considera essa uma característica “muito importante para manter a banda sempre viva. Algumas participações foram muito significativas nesse sentido. Há quatro anos, o Roberto Silva, o Príncipe do Samba, com 82 anos, cantou tudo nos tons originais e a gente assistia de joelho. A Elza Soares, o Caetano, o Luís Melodia, o Erasmo, a Alcione... todos esses momentos contribuíram para deixar nosso som muito mais rico”. Domenico aponta mais um: “A Bebel [Gilberto] também foi emblemática. Ela é a pessoa mais parecida com esse espírito da Orquestra”. Thalma se lembra do dia em que a filha de João Gilberto participou: “Ela cantou os números dela e ficava me dizendo: ‘Ai, Thalma, acho que quero voltar’. E voltava. Cantava, dançava mais um tempo e perguntava: ‘Será que não é melhor eu sair? Eu dava corda: ‘Relaxa, Bebel! Fica aí’. E ela ficava. No final, me disse: ‘Ai, amanhã vou trazer minha mãe, pode?’ No dia seguinte, estavam lá Bebel e Miúcha. Foi maravilhoso! Tem gente que chega, faz suas três músicas e vai embora. Mas é muito raro.
Normalmente, as pessoas saem do vocal e vão para a percussão, depois tocam um chocalho, dançam...”.
Em maio do ano passado, a Orquestra partiu para Londres, onde aconteceu o Tropicália: A Revolution in Brazilian Culture, no Barbican Center – o mesmo festival que promoveu a volta dos Mutantes. “A gente se apresentou na mesma noite em que haveria uma homenagem ao disco Tropicália. Eles refizeram os arranjos do álbum e nos chamaram para também cantar e comemorar aquilo no palco”, conta Moreno. A apresentação fez, mais uma vez, grande sucesso. Mas o que uma orquestra de gafieira teria a ver com a Tropicália? “Lá fora as pessoas ouvem a música brasileira como um bloco, então elas acham normal o tropicalismo inserido ali. Nossa geração não é conceitual. As idéias tropicalistas eram baseadas em pensamentos, atitudes políticas bem estruturadas. No nosso caso, isso é espontâneo, vem do caos de ser de uma época em que você consegue ter acesso a tudo, escutar tudo e gostar de qualquer estilo de música. É comum, hoje, a galera do rock gostar disso e daquilo porque tem uma atitude rock – apesar de não ser do estilo rock. Somos mais caóticos. Nesse sentido, o movimento do mangue beat é uma influência até mais relevante na Orquestra do que a própria Tropicália”, teoriza Domenico. Amarante tenta contextualizar: “O tropicalismo foi menos um movimento estético e mais um conceito. Se você olhar o que o Rogério Duprat fez no disco Tropicália, por exemplo – e eu considero o Tropicália um disco do Duprat –, vai ver que ele tem uma forma própria de ver o tropicalismo, imprimiu um acento muito diferente daquele que Caetano deu para o disco tropicalista dele [Caetano Veloso, 1968 – o que tem ‘Alegria, Alegria’]. Tropicalismo é uma forma de ver as coisas: sem hierarquia – tudo pode ser misturado até que se prove o contrário. Nesse sentido, a gente é tropicalista, porque tocar ‘Stairway to Heaven’ em pagode... Não temos compromisso com humor, fazemos o que dá vontade. Tem músicas superenvolventes, com letras importantes. Outras são simples piadas. Mas nada é explicado. Isso é tropicalista também: não fazer uma distinção clara entre o que é engraçado, o que não é, o que é provocação. São muitas cabeças: enquanto uma está achando engraçado, outra está ajoelhada rezando. E assim vai”.
E foi o próprio Amarante quem “discursou” no show tropicalista da Orquestra na Inglaterra. Moreno se lembra: “Ele disse, em excelente inglês, que o que estávamos fazendo ali era comer o coração deles, dos ingleses. Que éramos antropófagos. Não existe nada mais tropicalista do que isso. E essa sensação antropófaga é muito presente nas entranhas da Orquestra Imperial. Quando tocamos Yes e juntamos isso a sambas brasileiros bem típicos, estamos mostrando nossa maneira de fazer antropofagia. Quando o Rodrigo disse isso em Londres, quis dizer que estava comendo o coração deles, ingleses. E é realmente isso que todo mundo faz no mundo todo: a gente come o coração dos ingleses porque eles tiveram uma presença marcante na música do final do século 20. Mas, ao mesmo tempo, esse discurso serve no Brasil: estamos comendo os corações dos brasileiros e, por redundância, os nossos próprios”.
( continua...)
Você pode ter uma harmonia dissonante. É meio paradoxal, né? Mas ali é concreto. E, sendo uma vibração concreta, essa informação entra pelo sistema nervoso e já começa a pensar a partir dali. A informação musical entra pelos ouvidos, penetra as duras amálgamas lógicas e vai direto para o cérebro”.
Para quem não está habituado com as idéias de Mautner, A Filosofia do Kaos ("É caos com K!", ele lembra) foi desenvolvida em uma das obras mais conhecidas dele: o livro Kaos, editado em 1964. Ela proclama a modificação da humanidade por meio de um movimento revolucionário, anarquista, pacifista, democrático, cultural. “Kaos é uma visão. É antes, depois, abaixo, acima e durante a política. Qualquer política ziguezague. É o vis-à-vis artístico da física-química-matemática relativistas. Maracatu atômico?” Não por acaso, Mautner vê na Orquestra Imperial uma materialização atualíssima de suas idéias. E ele não economiza teorias: “A Orquestra tem uma chama poética que une a todos como uma missão. Como no jazz, eles conseguem uma medida entre o planejado, o exercitado, o ensaiadíssimo com o improvisado, o inesperado, a novidade. A música é uma deusa e o show da Orquestra Imperial é um ritual. As pessoas vão lá para celebrar a vida. A profundidade com que eles pegam músicas dos 30, 40, 50 e reinterpretam, mas nunca distorcem a coisa importante da composição”.
Esse aspecto, o das releituras de clássicos da música brasileira, também gera excelentes discussões teóricas. Para Moreno, “ninguém está fazendo uma tentativa de resgate. Estamos tocando as músicas que a gente gosta, é não é para ‘não deixar elas morrerem’. Pelo contrário, elas fazem parte das nossas vidas e estamos colocando essa parte viva no palco. É cantar e tocar para se divertir, ser feliz”. Pedro Sá faz coro com o amigo, mas acrescenta um dado: o fato de quase todos os integrantes da Orquestra estarem diretamente envolvidos com o rock é agente estético essencial nessas versões. “É muito dionisíaco. E é muito rock, no sentido de que aquilo ali é que está valendo. A gente não canta nenhuma daquelas músicas para fazer um estilinho do tipo ‘olha que incrível, estou cantando um Assis Valente’. E esse negócio da formação roqueira aproxima o público, sem dúvida. A cultura de banda de rock está em todo mundo, não há quem não ouça Beatles ou tenha uma banda preferida. E a gente faz parte desse universo. Então, isso nos contextualiza de alguma maneira”, esclarece. A caretice que esse tipo de resgate revela sai da toca na denúncia de Berna: “A gente se irrita um pouco com esse negócio meio branquelo burguês de se apropriar de uma cultura mais simples e transformá-la em um museu fechado muito louco, como se nada pudesse invadir aquilo porque senão ia corromper. Noel Rosa, se estivesse vivo, ia estar falando sobre foguete. Então, acho natural que, na hora de fazer essas releituras, a gente suba com o computador para o palco”. Kassin completa: “É para ser uma festa. Muita gente via na Orquestra um trabalho de resgate, mas não tem isso. A gente gosta daquela parada porque parece viva, não porque parece morta”. Por esses motivos todos, nenhum dos integrantes cogitou um trabalho de regravações quando começaram a cobrar um disco da Orquestra Imperial. “Seria estranho, e até oportunista, gravar coisas que já foram muito melhor gravadas. Ao mesmo tempo, como todo mundo compõe, a convivência desse grupo de pessoas em shows e viagens gerou uma série de canções novas. À medida que o repertório foi crescendo, a gente achou que só faria sentido fazer um disco se fosse para registrar essas músicas”. Berna tem mais a dizer: “O melhor seria fazer um disco de inéditas, para que a Orquestra andasse para frente, dissesse a que veio. Senão, a gente ia passar a vida fazendo show de empresa e não é essa a nossa parada”.
Veio da França, em meados do ano passado, a proposta real do primeiro álbum. “Ele foi bancado metade pela gente, metade por um selo francês e gravado todo ao vivo, como se fazia antigamente.
Isso mudou completamente minha concepção de estúdio. A coisa de não ter opção dá um aspecto geral muito mais quente. É um negócio de ter que saber lidar com os erros dos outros. É a sensação de realmente ter tocado junto. Tem coisas que nem são os melhores takes de um músico específico, mas que, no conjunto, dão um resultado muito mais vivo”, entusiasma-se Kassin. Com a experiência de quatro discos gravados com sua banda “oficial”, o Los Hermanos, Amarante concorda: “A gente está tão acostumado a aperfeiçoar tudo ao máximo e essa gravação era exatamente o registro do que a gente tocou. Isso termina por ser muito melhor que uma suposta polidez, uma limpeza, melhores momentos”. Berna lembra que não foi fácil juntar todo o elenco da Orquestra para que o disco acontecesse. “Com meses de antecedência, conseguimos marcar o estúdio. Três semanas antes, ainda nem tínhamos as músicas nem os arranjos. Dividimos as canções, entramos no estúdio com o [Mário] Caldato, que dividiu a produção comigo e com Kassin, e, em 15 dias, gravamos e mixamos 15 músicas, com 19 pessoas na banda. Só os metais foram feitos depois”, diz. Para a versão francesa, foram encomendadas quatro regravações de sambas antigos que entram no disco como faixas-bônus. Aqui, as quatro músicas estão disponíveis em um EP, vendido nos bailes da Orquestra por R$ 5.
Tudo bem que a orquestra nasceu para ser um plano B de quem já tem a vida ocupada por outras bandas ou, na definição de Kassin, “nasceu como aquele futebolzinho com os amigos da época do colégio – você vai meio de chinelo e depois sai para um chope”. Mas agora que a coisa “se descontrolou” e virou sucesso de público e crítica (internacional, inclusive) não corre o risco de virar “o emprego”? A resposta é unânime: “não”. Amarante começa: “O clima do show continua a mesma putaria de sempre. É isso: diversão, todo mundo tira sarro um do outro. Cada um resolve o que tem que resolver e é tudo mais relaxado”. Para Domenico, “é muito surpreendente até para a gente: fizemos alguns shows de responsa, como o na sala sinfônica do Barbican. Então, imaginávamos que a Orquestra poderia ficar mais organizada, mas continuamos na mesma, com a mesma espontaneidade, as brincadeiras, o diálogo musical – esse é o charme”.
Experiente, Kassin coloca na mesa as diferenças desta e de outras combinações musicais: “Em uma parada de banda, você começa com seus amigos e, depois de um tempo, os caras já não são mais seus amigos. O dia-a-dia da música acaba virando um negócio e é muito comum as pessoas acabarem até se odiando. Na Orquestra, não. As pessoas vão ali para se encontrar, tocar, bater um papo. O negócio é a música e a amizade, ninguém ganha dinheiro”. Amarante vai além: “A Orquestra é muito relaxada, todo mundo improvisa, inventa. O baile é tipo um jardim da infância, um hospício do bem. E eu aprendi a cantar músicas que já foram interpretadas e encontrar uma nova forma de cantá-las. Isso tudo me ajudou a achar a minha própria voz”. Moreno complementa o raciocínio: “A gente cresceu muito como crooner por ter justamente a oportunidade de cantar coisas que não são nossas. E a gente só vira intérprete quando canta músicas dos outros. Hoje em dia me sinto melhor com o fato de ser considerado cantor por conta da Orquestra Imperial.”
No momento em que esta matéria foi escrita, a Orquestra estava a todo vapor, com os integrantes devidamente fantasiados, animando as segundas-feiras do Circo Voador, no Rio, com os bailes pré-carnavalescos. Ali, tanto podemos ouvir Nina Becker cantando “Nasci para Bailar”, de João Donato, quanto Thalma de Freitas levando um “She-Ha”, do repertório da Xuxa. Esse tipo de baile já virou tradição na agenda do grupo. “A gente fez o primeiro no Canecão, no Carnaval de 2003. Mas lá o clima era muito formal: a pessoa senta, come um salgadinho ruim, paga caro por uma cerveja, assiste ao show e rala peito. E nosso público é mais galerinha que quer comprar chope barato, dar uma circulada, azarar. O programa inclui mais coisas do que só ver o show.
Daí a preocupação de ir para um lugar que socializasse mais”, avalia Berna. Kassin, que não consegue tocar fantasiado, ri dos amigos: “Tem uma coisa que não entendo: uns caras que são completamente tímidos, de repente, aparecem no palco com uma fralda geriátrica...”. Assim como os shows “de meio de ano” da Orquestra, os bailes pré-carnavalescos são divididos em dois blocos, que, somados, chegam a durar quatro horas. Nesse meio tempo, entra em cena o DJ. “Marlboro faz há anos os intervalos da Orquestra. A gente até ajudou, sem querer falar pretensiosamente, ele a chegar à zona sul no momento em que o funk foi absorvido ali também. Só depois ele foi pra Barra e aconteceu o que aconteceu”, recorda Berna.
Ainda que os shows atravessem as madrugadas, todos os 19 integrantes não abandonam o barco. “Fico toda animada”, alegra-se Thalma. Mas essa animação dura até o final da última música – não além dela. Quando recebeu o telefonema da reportagem da Rolling Stone, quatro dias depois de ter se apresentado com a Orquestra, Domenico atendeu com aquela voz rouca típica dos gripados: “Fiquei doente por causa do show de segunda-feira. Também, depois de tocar as mais de 50 músicas... Só agora estou começando a sarar. Mas segunda que vem tem outro show, e pronto: fico doente de novo”. Como assim, Domenico? Onde estão os efeitos medicinais da Orquestra Imperial que Jorge Mautner disse serem infalíveis? Bem, santo de casa não faz milagre...
O repórter Marcus Preto escreveu o tributo à Elis Regina na edição 4 da revista (jan. 2007) e assinou a matéria Um Homem Chamado Caetano, em nossa 11ª edição (ago. 2007)
1. He who understandeth others understandeth Two; but he who understandeth
himself understandeth One. He who conquereth others is strong; but he
who conquereth himself is stronger yet.((For the same reason as in the
first sentence.))
Contentment is riches; and continuous action((equable and carefree;)) is
Will.
2. He that adapteth himself perfectly to his environment, continueth for
long; he who dieth without dying, liveth for ever.((The last paragraph
refers once more to a certain secret practice taught by the O.T.O. See,
in particular, the Book of Lies.)) {38}
If you understand others you are smart.
If you understand yourself you are illuminated.
If you overcome others you are powerful.
If you overcome yourself you have strength.
If you know how to be satisfied you are rich.
If you can act with vigor, you have a will.
If you don't lose your objectives you can be long-lasting.
If you die without loss, you are eternal.
Knowing others is wisdom;
Knowing the self is enlightenment.
Mastering others requires force;
Mastering the self needs strength.
He who knows he has enough is rich.
Perseverance is a sign of willpower.
He who stays where he is endures.
To die but not to perish is to be eternally present.
Who understands the world is learned;
Who understands the self is enlightened.
Who conquers the world has strength;
Who conquers the self has harmony;
Who is determined has purpose.
Who is contented has wealth;
Who defends his home may long endure;
Who surrenders his home may long survive it.
He who knows other men is discerning; he who knows himself is intelligent.
He who overcomes others is strong; he who overcomes himself is mighty.
He who is satisfied with his lot is rich; he who goes on acting with energy has a (firm) will.
He who does not fail in the requirements of his position, continues long; he who dies and yet does not perish, has longevity.
Thalma de Freitas usa show como tubo de ensaio para CD
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LUCAS NEVES
da Folha de S.Paulo
Motivada pelo show voz e piano que Thalma de Freitas faria com o pai, Laércio, hoje à noite, no Studio SP, a conversa com a cantora começa com um susto --para a reportagem. "Ah, não vai ter. Ele foi para a Bahia ver minha irmã", conta ela. Mas logo dá um jeito de tranqüilizar o interlocutor: "Para substituir, estou tentando convencer o [violonista] Paulão Sete Cordas a fazer o show de músicas "de cortar os pulsos" em São Paulo".
Ana Ottoni/Folha Imagem
Cantora e atriz Thalma de Freitas se apresenta hoje no Studio SP, em Pinheiros
Antes que ela liste o repertório, uma pausa prosaica [Thalma está no salão de beleza]: "Ai, espera um minuto que estou tirando unha encravada. Au, au!" OK, voltemos ao cancioneiro de fossa: "Risque" (Ary Barroso), "Negue" (Adelino Moreira/Enzo de Almeida Passos), "Ronda" (Paulo Vanzolini), "Vingança" (Lupicínio Rodrigues/Linda Batista) estão no set list da apresentação. "Fiz o repertório na época em que estava me separando. Eu não consigo, choro toda vez. Mas não é pesado "deprê", é libertador, para ficar com os nervos à flor da pele", diz.
Garantida mesmo está a apresentação com o coletivo Instituto, já no início da madrugada de domingo, no mesmo Studio SP. Depois da parceria com o grupo no tributo ao "Racional" de Tim Maia, Thalma pinçou Daniel Ganjaman para ser a base da banda com que ela pretende gravar seu primeiro disco de composições próprias.
"Isso [o show] é um "brainstorming" que a gente está fazendo. Misturamos músicas ensaiadas com coisas criadas ao vivo, no palco. Está saindo um rock'n'soul", descreve. No caldo musical, também há espaço para standards de jazz ("para ter fluência na hora de compor") e "spoken word" (em que a letra é recitada -e não cantada- sobre base musical).
Sem fossa
"Terminei de fazer o pé", informa a cantora a quem está do outro lado da linha. E emenda: "Gosto de protegê-lo [o pé]. Vou te falar: bico fino é o pior amigo do pé da mulher."
Deixando o papo podólogo de lado, o assunto era o CD autoral, lembra? Na última conversa com a Folha, em julho, Thalma dissera que planejava entrar em estúdio para registrar, ao lado de Paulão Sete Cordas, as tais canções "de cortar os pulsos". "O [produtor] Kassin não me deixou gravar um disco de fossa, com razão. Se lanço um trabalho com regravações de sambas-canção, de voz e violão, eu ia virar muito Buena Vista Social Club. Ia demorar muito tempo até tirar esta imagem das pessoas", afirma.
"Não é que eu não queira [o epíteto de cantora de standards], mas o mundo não precisa de mais uma intérprete. Se eu quisesse ser uma, não teria virado atriz. Não tenho uma carreira de cantora porque não compunha minhas próprias músicas. Nunca quis ser "canária". Se quer que intérprete, monta um projeto e me chama.
Já cantei Tom [Jobim], João Donato. Mas não vou fazer da minha carreira isso. Não por nada, mas sou boa compositora, além de tudo", arremata. Como atriz, ela se despede da
Berenice de "Sete Pecados" no início de 2008. E já começou a participar, no Rio, de leituras da nova peça de Hamilton Vaz Pereira. "Quero fazer todas as coisas que eu sei fazer [...] Sei que não é comum uma pessoa ser boa em duas carreiras, mas eu sou. Me respeita aí."
Instituto, Thalma de Freitas e Mauricio Takara
Quando: hoje, a partir das 23h30
Onde: Studio SP (r. Inácio Pereira da Rocha, 170, tel. 3817-5425)
Quanto: R$ 25 (R$ 15 c/ nome na lista: studiosp@studiosp.org)
23/08/2007 - 06h30
"Somos musas, mesmo", afirma Thalma de Freitas, da Orquestra Imperial
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LUCAS NEVES
da Folha de S.Paulo
Uma gosta de colecionar papéis (de ingressos a embrulhos), desenhar as próprias roupas e garimpar músicas antigas "com cara de coisa feita agora", mas se achava "nerd" quando criança por saber quem era Pixinguinha. A outra, filha de maestro formada ao som de "Saltimbancos", Elis Regina e Menudo, prefere se definir como intérprete (de texto e música) e sonha estrelar um musical -ou um seriado de ação à "Esquadrão Classe A", em que veteranos do Vietnã acusados de um roubo a banco agiam como mercenários nos EUA.
Danilo Verpa/Folha Imagem
As cantoras da Orquestra Imperial, Nina Becker e Thalma de Freitas
Uma é Nina Becker, 33. A outra, Thalma de Freitas, outros 33. Juntas, respondem pela diminuta ala feminina da Orquestra Imperial, que faz show de lançamento do CD "Carnaval Só Ano que Vem" hoje à noite, em São Paulo. Acompanhadas por 17 marmanjos, elas encaram de formas diferentes o título de musas. "Não há rótulos tão cristalizados. O que tem é a amizade, que transcende os futricos de camarim", desconversa Nina.
"Ficamos [ela e Becker] de musas, mesmo. Não temos mais 20 anos. Não cabe essa de mascote. Ou ficamos de divas, ou de chatas", brinca Thalma.
Em comum, elas criticam as intérpretes que se lançam com regravações de clássicos da MPB. "Acho um absurdo meninas mais novas do que eu ficarem cantando Chico Buarque, coisas que já foram gravadas milhares de vezes. Fico aborrecida com isso. O que é novo tem um risco maior", diz Nina.
"Não ligo para essas meninas, não sei quem elas são e não vou ao show delas. Caguei!", emenda Thalma, para em seguida arrematar, em tom jocoso: "Gosto de trabalhar com canções inéditas porque não tenho que pagar tanto em direitos autorais. Canto música de quem está passando perrengue!".
Mas quem já foi aos shows da orquestra sabe que boa parte do repertório é de relíquias catadas de outros Carnavais. Na turnê de lançamento do álbum de estréia, que já passou por BH e Rio, o público tem ouvido, além das novidades, "Fita Amarela" (Noel Rosa), "A Ordem É Samba" (Jackson do Pandeiro/Severino Ramos) e "Tenha Pena de Mim" (Ciro de Sousa/ Babaú), entre outras.
Não é só farra
Quando o disco chegou às lojas, em junho passado, a imprensa chamou a atenção para a relativa sobriedade das composições, em contraste com a euforia observada nos "bailes-shows" da orquestra. Nina não vê aí uma mudança de tom, mas sim "o resultado de um trabalho mais autoral". "A alegria não é necessariamente histriônica. O show de fato é mais descontrolado. Vocês dizem que a gente sabe fazer farra; quisemos mostrar que fazemos boa música também."
Para Thalma, a gaiatice que marca as apresentações ao vivo não se perdeu. "Gravamos o CD em dez dias. Não fizemos mais de três "takes" para nenhuma música. Não deixa de ser tão espontâneo quanto o show."
As participações especiais também fazem parte da assinatura da Orquestra. Zeca Pagodinho, Caetano Veloso e a musa do tecnobrega Gabi Amarantos estão entre os que já dividiram o palco com a banda. Quem poderia se somar à lista? "Adoraria trazer o Miltinho e a Elke Maravilha", diz Nina. Thalma faria um replay. "A Alcione poderia repetir "Devagar com a Louça" com a gente. Me joguei no chão quando ela cantou com a orquestra", lembra Thalma.
Não há convidados previstos para o show desta noite.
Carreira solo
Longe da orquestra, Nina --que já foi diretora de arte na Conspiração Filmes-- mantém um ateliê de costura no Rio, mas rejeita o rótulo tradicional de estilista. "Faço roupa, não moda. Estilo, cada um tem o seu. Se vira, pô!"
Já Thalma, no ar na novela "Sete Pecados" como um anjo que protege Dante (Reynaldo Gianecchini), tem feito shows com o pai, Laércio de Freitas, e grava até o fim do ano um disco voz e violão, acompanhada por Paulão Sete Cordas. O repertório é de "músicas de cortar os pulsos". Dor assim, nem a galhofa da Orquestra consegue remediar.
ORQUESTRA IMPERIAL
Quando: hoje, às 21h30
Onde: Citibank Hall (av. Jamaris, 213, Moema, tel. 0/xx/11 6846-6040)
Quanto: de R$ 35 (platéia) a R$ 60 (camarote)
O Santander Cultural encerra a programação musical deste ano com o show João Donato convida Thalma de Freitas, numa apresentação única, dia 16 de dezembro, às 18h00, no Átrio. O tradicional show de final de ano do Santander Cultural reúne desta vez o cantor e compositor João Donato e a cantora e atriz carioca Thalma de Freitas.
Um dos principais nomes da música brasileira nos últimos 50 anos, o acreano João Donato é autor de clássicos como A Rã, Até quem sabe e Lugar Comum; lançou discos antológicos como Bad Donato e Quem é quem, e tocou ao lado de nomes como Bud Shank, Eumir Deodato, Ron Carter, Herbie Mann, Wes Montgomery e Astrud Gilberto, além de ter músicas interpretadas por Caetano Veloso, Gal Costa, Bebel Gillberto, Baden Powell e mais uma série de grandes intérpretes nacionais e internacionais.
Filha do pianista, arranjador, compositor e maestro Laércio de Freitas, amigo de Donato, Thalma de Freitas, 33 anos, vem pela primeira vez a Porto Alegre para apresentação musical. Atualmente está na novela Duas Caras, da TV Globo. Ela atuou em diversas outras novelas, como Laços de Família, O Clone, Começar de novo e Big Bang, e filmes como O Xangô de Baker Street e Filhas do Vento. Thalma se apresenta como cantora desde os 17 anos nos bares de Rio de Janeiro e São Paulo. Atuou no projeto Humaitá para Peixe e, em 2004, lançou seu cd solo, com composições clássicas de Jacob do Bandolim e Roberto Martins, além de autores novos, como Kassin e Mateus e Dadinho. É crooner da Orquestra Imperial, um dos grandes sucessos da música brasileira da atualidade.
Confira o repertório do show:
- Primeira Parte
· Café com pão (JoãoDonato e LysiasEnio)
· Gaiolas Abertas (João Donato e Martinho da Vila)
· Naquela estação (João Donato, Caetano Veloso e Ronaldo Bastos)
· Amazonas (João Donato e Lysias Enio)
· Apaz (João Donato e Gilberto Gil)
· Suco de Maracujá (João Donato e Martinho da Vila)
· Nunca mais (João Donato, Marisa Monte e Arnaldo Antunes)
- Segunda Parte
· Não tem nada não (João Donato e Marcos Valle)
· A bruxa de mentira (João Donato e Gilberto Gil)
· A rã (João Donato e Caetano Veloso)
· Bananeira (João Donato e Gilberto Gil)
· Nasci para bailar (João Donato e Paulo André Barata)
3 na Massa @http://www.revistaogrito.com/page/?p=63
ESTRONDO SEDUTOR
Com a banda 3 Na Massa, cantoras como CéU e Thalma de Freitas se reiventam como musa em projeto inovador
por Rafaella Soares
Karine Carvalho ao centro
Serge Gainsborg fez suas respectivas Jane Birkin e Brigitte Bardot gemerem e sugerirem as maiores fantasias lúbricas nos clássicos da chanson francesa pro mundo todo. O Two Virgins tem uma faixa que consiste basicamente de John e Yoko dizerem o nome um do outro, entre gemidos e respirações ofegantes. Mick Jagger botou Marianne Faithfull no bom caminho, por assim dizer, e Sister Morphine, encontrou uma voz.
A música é pródiga em exemplos bem sucedidos de produção/composição masculina registradas por vocais sensuais femininos.
Thalma
Rica Amabis, Pupillo e Dengue foram além.Tiraram as mulheres da condição de musa por contingência. Mas sem perder a libido jamais. A formação do 3 na Massa (que conta com os membros da Nação Zumbi na cozinha) consegue ser a melhor novidade em se tratando de bandas paralelas dessa leva interminável de novos projetos pop eletrônicos. Suas influências formam uma colagem sonora e visual tão heterogênea quanto se consegue ser ultimamente na música contemporânea. Metais que lembram em muitos momentos a Orquestra Imperial, ou a excelente Vermute de Recife.
Atinge ao mesmo tempo um clima lúdico e sofisticado. Aqui cabe dizer, todos as formações no estilo “coletivo” atual - vide Moreno, Domenico, Kassin+ tantos!, esbanjam em barulhinhos, texturas, invencionices das mais prazerosas. As parcerias não podiam ter simbiose maior. Nas músicas disponíveis no Myspace, tem desde Thalma de Freitas, sub-aproveitada em novelas da Globo, mostrando sua elegância nada afetada e voz suave na faixa “O seu lugar”, até CéU, revelação de 2006, interpretando uma canção de Junio Barreto, “Doce Guia”. “Tatuí” merece um à parte. A hipnótica faixa escrita por Rodrigo Amarante ganha um ar de lolita na voz de sua namorada, Karine Carvalho. Como se não bastasse isso, pra deixar o ouvinte arfando e louco pra ouvir de uma vez o aguardado cd de estréia, Manara com sua safadeza à moda antiga ilustra a página da banda na internet.
3 Na Masa: Her Name Is Rio :: Brazilian actresses sing the song of sex with 3 Na Masa By Lissetta Corsa Photography by Thalma de Freitas
11/07/07 :: URB web
Imagine a movie montage culled from the frames of Federico Fellini’s La Strada and Roger Vadim’s kitschy 1968 sci-fi fantasy Barbarella set to the lush musings of a smoky-voiced Brazilian siren cooing in Portuguese. Now picture the scene unraveling at Coney Island’s Astroland staring an actress on a Freudian carousel ride of her innermost salacious acts.
It may sound contrived, but for São Paulo, Brazil, trio 3 Na Massa (3 In the Dough), the idea to penetrate the female libido through music stemmed from such visual mash-ups. One part Rica Amabis, the producer behind São Paulo hip-hop collective Instituto, and two parts Pupillo and Dengue, members of the seminal Recife rock outfit Naçao Zumbi, 3 Na Massa began sampling sonic driftscapes on a computer in their shared quarters before finally making it seamless in the studio.
“It became natural,” Amabis says of the creative process. “We didn’t have to talk much. We actually knew what each of us was going to do.”
The result is a record fashioned as a kind of confessional soundtrack to the erotic comic book frames of Italian artist Milo Manara. Piled with layers of references that range from Brazilian filmmaker Hugo Khouri to the voluptuous sonic contours of Serge Gainsbourg, the record shows the threesome’s close attention to detail. Even the intimate dialogues of amorous encounters were penned by various songwriters, among them Rodrigo Amarante, Recife composer Juno Barreto and Mamelo Sound System singer Rodrigo Brandao. 3 Na Massa then enlisted female singers and actresses, including friend and newcomer chanteuse CéU, Orquestra Imperial’s Thalma de Freitas, Brazilian soap opera star Karine Carvalho and City of God’s Alice Braga, to create vocal personas for each of the album’s storylines.
“We had this idea to use actresses that never sang,” Amabis says. “We thought it would sound more visual than if we just used singers. There’s a slight difference because actresses put a character on. It also created different points of view, musically.”
Nublu Records is releasing the tightly crafted, 13-track full-length next spring. In the meantime, 3 Na Massa plans on teasing us with a seductive EP available by the end of the year.
Chega dessa mania de ser loser.
Isso é muito derrotista, uma bobagem.
A numerologia não recomenda.
O feng-shui diz que é negativo.
A Erika Palomino acha uó.
A Hebe não acha gracinha.
O Bóris Casoy acha um absurdo.
E o Mano Brown teve uma idéia melhor: